Tudo que você precisa saber para criar filhos bilíngues

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Tudo que você precisa saber para criar filhos bilíngues

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O ser humano nasce com a incrível capacidade de aprender qualquer língua falada no planeta. Estar em contato com diversos idiomas desde a infância se torna um patrimônio inestimável para as crianças em vários sentidos. Seja para ampliar as oportunidades profissionais ou até mesmo para preservar a saúde mental.

E foi acreditando nisso que, desde minha gravidez, eu tive certeza que eu iria criar a minha filha falando no mínimo dois idiomas. Hoje ela está com 2 anos e 6 meses e a cada dia eu me sinto mais feliz e orgulhosa com o seu desenvolvimento linguístico. A Nicole fala português e sueco e já está aprendendo um pouco de inglês.

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Foto por: Felipe Minnicelli

 

Mas criar um filho bilíngues tem seus desafios e gera muitas dúvidas. Será que estar exposto a mais de um idioma por confundir a criança? As crianças bilíngues apresentam algum atraso no desenvolvimento da fala? O que fazer quando o filho/a se recusa a falar um dos idiomas?

Encontre aqui todas as respostas para as suas dúvidas sobre criar filhos bilíngues.

Criar filhos bilíngues pode confundir as cabeça das crianças?

Recebo quase que diariamente dúvidas de leitores ou amigos que pretendem criar os filhos em ambientes multilinguísticos e as principais são: será que essa exposição multilinguística não criaria um atraso no aprendizado da fala ou não poderia confundir as crianças?

Além de ler muito sobre o assunto eu entrevistei profissionais da área para desmitificar os aspectos da criação bilíngue. A Juliana Neves Lindgren é graduada em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e em Fonoaudiologia pelo Karolinska Institutet, da Suécia e conta que não existe nenhum estudo que aponte o bilinguismo como atividade que pode confundir a criança.

“Nosso cérebro foi feito para aprender várias línguas. A maioria da população do planeta vive em locais onde se fala mais de uma língua. Nem por isso, as pessoas são mais confusas do que as populações que vivem em ambientes homogêneos linguisticamente, como é o caso do Brasil”, reflete a especialista atuante na área de distúrbios de linguagem com crianças em idade pré-escolar.

Criar filhos bilingues pode criar atraso no aprendizado da fala?

Para a fonoaudióloga, a ideia de que o bilinguismo confunde as crianças é apenas um mito difundido até mesmo entre alguns profissionais da educação.

“Crianças bilíngues atingem os marcos do desenvolvimento da linguagem na mesma idade que crianças monolíngues”, afirma.

Ela explica que eventualmente crianças bilíngues podem demorar mais tempo para desenvolver o vocabulário nas respectivas línguas, já que aprendem cada palavra simultaneamente em dois ou mais idiomas.

Na Suécia, por exemplo, o multilinguismo é uma realidade na vida escolar. De acordo com dados do Skolverket, órgão do governo responsável pelo sistema de educação, as crianças estudam pelo menos três línguas até a 6ª série da escola pública. Nos primeiros anos de alfabetização, os alunos estudam duas línguas: o sueco e o inglês.

Quando iniciam a 6ª série, eles escolhem mais uma língua estrangeira (espanhol, francês, alemão ou mandarim). No caso de filhos de imigrantes residentes no país, é garantido também o direito a aulas da língua materna desde a pré-escola.

Quais são os desafios de criar filhos bilíngues?

Para a criança desenvolver o aprendizado em diversas línguas simultaneamente, é essencial que os pais falem, expliquem, digam o nome das coisas, leiam livros e respondam às iniciativas de comunicação dos pequenos. Também é importante que eles tenham contato com outras pessoas falantes da língua materna ou paterna, além da família.

Atento a essa necessidade, em Copenhague, na Dinamarca, um grupo de mães brasileiras decidiu criar uma associação para incentivar o convívio entre crianças que falam português. “A Associação Brasileirinhos – DK promove encontros e atividades para proporcionar às crianças o contato com a língua portuguesa e com a cultura brasileira”, explica Tatiane Due, uma das idealizadoras do projeto.

Para os pais que criam filhos bilíngues, a persistência é um aspecto fundamental para que os filhos não se recusem a falar um dos idiomas.

A jornalista Maria Eugênia dos Santos (Magê), autora do blog Milão nas Mãos, tem duas filhas: Clara, de 10 anos, e Eloisa, de 8. Ela observa que, em certos momentos, as meninas respondem em italiano porque o vocabulário na língua do país de residência é mais rico.

“Às vezes eu finjo não entender o que elas dizem para incentivar a comunicação em português. Elas riem e repetem a frase novamente”, conta.

Criar filhos bilingues

Para a jornalista, falar com o coração é a chave para uma convivência amigável com outra língua. “Aqui em casa dizemos ‘Eu te amo’ e não ‘Te voglio bene’, comenta.

Ela acredita que educar com amor e sem cobranças é essencial para manter o interesse das filhas pelo português.

Entre brincadeiras, músicas e histórias, a suíça Claudia Boemmels, idealizadora da Revista Brasileiros Mundo Afora e residente em Berlim, ensina também o português para os filhos Fabian, de 9 anos, e Anna Lena, de 6.

“É essencial ser positiva e incentivar a expressividade deles de várias formas. Adoro quando eles cantam em português. Eles se juntam para brincar e cantam músicas brasileiras”, conta.

Criar filhos bilingues

Criar filhos bilíngues previne problemas mentais?

Estudos coordenados pela doutora em psicologia e responsável por pesquisas em diversas áreas relacionadas ao bilinguismo na Universidade de York, no Canadá, Ellen Biolystok, apontaram várias vantagens para o desenvolvimento cerebral das crianças bilíngues.

Publicada na revista científica Neurology, a pesquisa associa o bilinguismo a um atraso substancial no aparecimento de sintomas do Alzheimer. Os pesquisadores verificaram que os pacientes bilíngues tinham sido diagnosticados com a doença cerca de quatro anos mais tarde e relataram o aparecimento de sintomas cerca de cinco anos depois da mesma manifestação por parte dos pacientes monolíngues.

Os estudos também demonstraram que quem fala duas línguas no dia a dia tem vantagens cognitivas e apresenta maior facilidade para manter a concentração na resolução dos problemas e maior capacidade de foco.

Como criar filhos bilíngues mesmo morando no Brasil? Método One Parent One Language (Opol)

One Parent One Language (Opol) que significa (Um parente, uma língua) é uma técnica que consiste em definir papéis na família em que cada um dos pais é encarregado de ensinar um idioma aos filhos.

“Dessa forma, a criança vai saber diferenciar a língua e, futuramente, o ambiente em que ela será utilizada”, explica a empresária Vanessa Kammer e o marido, residentes há seis anos no Canadá,  que optaram por criar o filho utilizando o método.

Vanessa conversa apenas em inglês com Eric, de 14 meses, enquanto o pai fala português. “Moramos na Província do Quebec. Aqui os alunos não aprendem inglês na escola, mas no futuro eu pretendo me mudar para uma província inglesa. É para isso que estou preparando meu filho”, comenta Vanessa, que revela ser alvo de críticas pela decisão.

“As pessoas acham que, como sou brasileira, deveria apenas falar em português com o Eric, mas estou certa de que estou fazendo o melhor para o futuro dele”, argumenta.

Criar filhos bilingues

O brasileiro Marcelo Perrucci, residente em Brasília, também resolveu adotar o Opol em sua família. Pai de Yuna, de 4 anos, e William, de 2, Marcelo se comunica apenas em inglês com os filhos enquanto a mãe das crianças é responsável por ensinar o português.

“A língua inglesa é muito importante na sociedade. Mesmo vivendo no Brasil, convivemos com o idioma diariamente em filmes, livros ou músicas. Queremos dar aos nossos filhos a oportunidade de crescer entendendo melhor a diversidade  cultural do mundo”, comenta Marcelo.

Exemplos de sucesso!

A Isabel Löfgren é um exemplo de sucesso da criacão multicultural. No dia que nos conhecemos ela falava um português bem-articulado, sem sotaque e com expressões culturais e até soltava algumas gírias. Isabel é Doutora em filosofia, artista plástica, escritora e mãe do Theo, de 3 anos, e com o filho ela se comunica apenas em português.

Criar filhos bilingues

Tudo isso não seria novidade não fosse o fato de ela ser sueca. Isabel Löfgren cresceu em um ambiente multicultural. Em casa, a mãe, brasileira, só falava em português, enquanto o pai, natural de Estocolmo, só se expressava no idioma do país escandinavo.

O português e o sueco não foram os únicos idiomas que se tornaram  familiares para Isabel desde a infância. Os pais se comunicavam em francês, o que possibilitou que ela aprendesse mais uma língua.

“Quando eles se conheceram, minha mãe não falava sueco, e meu pai não falava português”, comenta Isabel, fluente em cinco idiomas.

Espero que a Nicole também siga esse caminho e no futuro também me orgulhe ainda mais falando 2, 3 ou 5 idiomas, por quê não?

E você, também tem dicas para criar filhos bilíngues? Adoraria saber mais sobre a sua experiência.

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About Author

Gisele

Mineira, jornalista, ariana com quase 30. Adora desafios: o mais recente - ser mãe e continuar mantendo o ritmo de viagens. Já morou em Portugal, Irlanda e agora enfrenta o frio nórdico, vivendo em Estocolmo, na Suécia. Fluente em 4 llínguas e já está estudando a próxima. Não acredita no impossível e ainda quer fazer uma viagem de volta ao mundo!

3 Comments

Celia

March 6, 2017at 11:00 pm

Sou brasileira, casada com um sueco. Desde o nascimento de nossa filha, resolvi que só falaria portugues. O sueco ela teria com o pai, a familia do pai, a creche, os coleguinhas. Até os 3 anos, eu falava portugues e ela respondia em sueco, mas entendendo tudo que eu falava. Só por volta dos 4 anos, ela comecou a fazer a diferenca; falano comigo em portugues e sueco com o pai. Devo dizer que nos 3 primeiro anos SO FALEI portugues. Na presenca dos avos, tios, na creche, nunca mudei pra sueco. Se era uma coisa que eu queria que eles tomasse conhecimento, traduzia depois pra eles. Ela cresceu e hoje tem 25 anos. Fala perfeito o portugues e escreve tb. Devido a isso, ela fez um estácio da faculdade, na Embaixada da Suecia, em Lisboa exatamente por falar as duas linguas. Se tem uma coisa que me sinto orgulhosa, foi a minha determinacao de falar portugues com minha filha.

    Gisele

    March 7, 2017at 1:48 pm

    Oi Celia, muito obrigada por compartilhar sua história.
    Parabéns pela persistência, muito bonito essa herança cultural que você deixou para sua filha.
    Com certeza ela está colhendo hoje os frutos da sua determinação e dedição.
    Histórias assim me fazem ter ainda mais certeza de que estou seguindo o caminho certo.
    Beijos e mais uma vez, parabéns!

Marcela

March 8, 2017at 7:02 pm

Oi Gisele!
Não tenho filhos mas acho muito legal o bilinguismo com as crianças… De cara me vem a cabeça a Adriane, do Dri Everywhere e a fofa da filha dela que fala em português com ela e em inglês com o pai… E esses tempos atrás eu ouvi um podcast sobre esse assunto que tirou muitas duvidas… Foram dois episódios (#131 e #132) do ONDEM (O nome disso é mundo, não sei se você conhece!) falando sobre isso com um especialista, foi muito esclarecedor!

Beijão!

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Gisele Almeida em O mundo segundo os brasileiros

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